Aos 76 anos, Ozzy Osbourne, lendário vocalista do Black Sabbath e figura icônica do rock, faleceu em 22 de julho de 2025, rodeado pelo carinho da família. A notícia chega poucas semanas após sua apresentação final com a banda, no dia 5 de julho, em Birmingham, onde, sentado num trono, ele se despediu dos palcos, encerrando uma carreira de mais de cinco décadas que moldou o heavy metal como o conhecemos.
Nascido na região operária de Aston, em Birmingham, em 1948, John Michael “Ozzy” Osbourne transformou-se, ainda jovem, em um símbolo de rebeldia. À frente do Black Sabbath, a partir de 1968, ele ajudou a criar um som pesado, sombrio e reverberante, que viria a definir o gênero. Canções como “Paranoid”, “Iron Man” e “War Pigs” ecoaram seu canto singular e criaram um legado duradouro no rock.
Os anos de estrada do “Príncipe das Trevas” foram marcados por excessos, polêmica e superações. Famoso por morder a cabeça de um morcego em um show, ele também enfrentou problemas pessoais com drogas e álcool, diagnosticado com Parkinson em 2020 e enfrentando sérias lesões após uma queda em 2019. Ainda assim, sua voz inconfundível e presença no palco resistiram ao tempo. Ele se lançou em carreira solo de sucesso, com álbuns como Blizzard of Ozz e hinos como “Crazy Train” e “Mr. Crowley”, e se tornou figura popular com o reality show The Osbournes, que o transformou em uma celebridade ainda mais próxima do público global.
O concerto em Birmingham, denominado “Back to the Beginning”, reuniu a formação clássica do Sabbath — Tony Iommi, Geezer Butler, Bill Ward e Ozzy — pela primeira vez em 20 anos. O evento foi um verdadeiro festival, com participações de Metallica, Guns N’ Roses, Slayer, Tool, entre outros, e arrecadou mais de 200 milhões de dólares para instituições de caridade, incluindo organizações de combate ao Parkinson e hospitais infantis. A performance, carregada de emoção, foi transmitida ao redor do mundo por pay‑per‑view, simbolizando não apenas uma despedida, mas um marco histórico no rock.
A repercussão da morte foi imediata e intensa: músicos de todas as gerações — de Elton John a Yungblud — exaltaram a influência de Ozzy e seu papel ao abrir espaço para que o Parkinson fosse debatido abertamente. Políticos locais e fãs lotaram as redes e homenagens foram prestadas em larga escala, celebrando sua autenticidade, coragem e contribuição musical.
Ozzy deixa sua esposa Sharon, com quem foi casado desde 1982, e seis filhos – Jessica, Louis, Elliot (da primeira união), e Aimee, Kelly e Jack, frutos do casamento com Sharon –, além de netos. Seu legado, contudo, vai muito além de laços familiares: é uma herança cultural que transformou o rock, inspirou gerações e ainda ecoa em cada riff pesado e performance teatral que moldou.
Com sua partida, termina uma era. Uma voz crua e única se cala, mas as sombras que ele lançou sobre as guitarras – e que moldaram o heavy metal – continuam vivas. Ozzy Osbourne, o Príncipe das Trevas, alcançou seu fim, mas seu eco ressoa por toda parte.