Pular para o conteúdo
ANG Brasil

Morre Netinho, ícone do axé e voz de “Milla”, aos 60 anos em Salvador

Artista marcou uma geração com sucessos que ajudaram a transformar o axé em fenômeno nacional.

Redação · Repórter

Publicado em ·4 min de leitura

Morre Netinho, ícone do axé e voz de “Milla”, aos 60 anos em Salvador

Artista marcou uma geração com sucessos que ajudaram a transformar o axé em fenômeno nacional.

O cantor Netinho, um dos nomes mais conhecidos da história do axé music, morreu nesta terça-feira, 13 de outubro de 2026, aos 60 anos, em Salvador, na Bahia.

O artista estava internado no Hospital Aliança Star e enfrentava um linfoma não Hodgkin do tipo B, câncer que atinge o sistema linfático. Segundo informações divulgadas por sua equipe, a doença evoluiu para um quadro de falência renal e disfunção múltipla de órgãos.

A confirmação da morte provocou uma onda de homenagens de fãs, amigos e artistas nas redes sociais.

Netinho deixa uma trajetória diretamente ligada à expansão do axé pelo Brasil e uma coleção de músicas que atravessaram gerações.

Netinho enfrentava câncer há mais de um ano

O cantor havia sido diagnosticado com o linfoma em 2025 e passou por tratamento contra a doença.

Durante esse período, realizou sessões de quimioterapia, enfrentou internações e chegou a retomar algumas atividades profissionais. Posteriormente, porém, houve uma recidiva da doença e o tratamento precisou ser intensificado.

Nos últimos meses, o artista permaneceu afastado de parte de suas atividades enquanto cuidava da saúde.

O quadro se agravou e evoluiu para complicações que levaram à morte nesta terça-feira.

Despedida será reservada

Por decisão do próprio cantor, o velório e a cremação serão realizados de maneira reservada, com a presença apenas de familiares e amigos próximos.

A equipe do artista também pediu respeito à privacidade da família durante o período de despedida.

De Santo Antônio de Jesus para o Brasil

Netinho nasceu Ernesto de Souza Andrade Júnior, em 12 de julho de 1966, em Santo Antônio de Jesus, na Bahia.

Ainda criança, mudou-se para Salvador. Aos 14 anos, ganhou seu primeiro violão da mãe e aprendeu a tocar sozinho.

Antes de seguir definitivamente pela música, chegou a iniciar o curso de Engenharia Civil, mas a carreira artística acabaria mudando completamente seu caminho.

Banda Beijo abriu caminho para o sucesso

Netinho começou a ganhar projeção no cenário musical baiano durante os anos 1980.

Em 1988, estreou como vocalista da Banda Beijo no Carnaval de Salvador.

Foi nesse período que começou a alcançar público nacional, impulsionado pela explosão do axé e pelo crescimento dos trios elétricos como fenômeno cultural fora da Bahia.

Canções como “Beijo na Boca” ajudaram a tornar sua voz conhecida pelo país.

Carreira solo consolidou Netinho como estrela do axé

Em 1993, Netinho iniciou sua trajetória solo.

A mudança abriu uma das fases mais populares de sua carreira. Durante os anos seguintes, o cantor passou a ocupar programas de televisão, rádios, carnavais e grandes apresentações pelo Brasil.

Foi também nesse período que surgiram alguns dos maiores sucessos associados ao seu nome.

Entre eles estão músicas como “Estrela Primeira”, “A Vida é Festa” e, principalmente, “Milla”.

“Milla” virou sua principal marca

Lançada em 1996 na voz de Netinho, “Milla” se tornou um dos grandes sucessos do axé nos anos 1990.

A música foi composta por Manno Góes e ganhou projeção nacional com a interpretação do cantor.

Com o passar dos anos, a faixa ultrapassou o período em que foi lançada e continuou aparecendo em festas, carnavais e apresentações, tornando-se praticamente inseparável da trajetória de Netinho.

Para grande parte do público, os primeiros acordes da música são imediatamente associados ao cantor.

O sucesso também ajudou a consolidar Netinho como um dos artistas responsáveis pela popularização nacional do axé.

Uma geração marcada pelo axé

Netinho fez parte de um período em que a música baiana conquistou espaço sem precedentes no mercado nacional.

Durante os anos 1980 e principalmente nos anos 1990, o axé deixou de estar associado apenas ao Carnaval de Salvador e passou a ocupar rádios, televisão e grandes eventos em todo o país.

Netinho esteve diretamente inserido nesse movimento.

Sua combinação de músicas carnavalescas, repertório romântico e presença nos trios elétricos ajudou a construir uma carreira que atravessaria décadas.

Artistas prestam homenagens

Após a confirmação da morte, diferentes nomes da música e do entretenimento publicaram homenagens nas redes sociais.

Claudia Leitte e Sarajane estiveram entre os artistas que lamentaram publicamente a perda. Fãs também começaram a compartilhar fotos, apresentações antigas e lembranças relacionadas às músicas do cantor.

As manifestações rapidamente transformaram o nome de Netinho em um dos principais assuntos relacionados à música brasileira nesta terça-feira.

Filha presta homenagem ao pai

Netinho deixa uma filha, Bruna Trindade, fruto de seu antigo relacionamento com a jornalista Mariana Trindade.

Após a confirmação da morte, Bruna publicou uma fotografia antiga ao lado do pai acompanhada de uma breve mensagem de despedida.

Legado permanece na música brasileira

A morte de Netinho encerra uma carreira que acompanhou um dos períodos mais importantes do axé.

Das primeiras apresentações com a Banda Beijo à explosão nacional de “Milla”, o cantor ajudou a levar a música produzida na Bahia para milhões de brasileiros.

Sua trajetória ficou associada ao Carnaval, aos trios elétricos e a uma geração que viu o axé se transformar em um dos principais fenômenos da música popular brasileira.

Aos 60 anos, Netinho deixa sua marca principalmente nas canções que continuam sendo lembradas décadas depois de seus lançamentos.

Sobre o autor

Redação

Repórter