Ibovespa supera 200 mil pontos e dólar cai abaixo de R$ 5 após primeiro turno
Bolsa brasileira ultrapassou pela primeira vez os 200 mil pontos e chegou a 209,6 mil nesta segunda-feira, 5 de outubro.
Redação · Repórter
Publicado em ·5 min de leitura
Bolsa brasileira ultrapassou pela primeira vez os 200 mil pontos e chegou a 209,6 mil nesta segunda-feira, 5 de outubro.
Dólar caiu para a faixa de R$ 4,98 em sessão marcada pela reação dos investidores ao resultado das eleições.
O Ibovespa ultrapassou pela primeira vez os 200 mil pontos nesta segunda-feira, 5 de outubro, enquanto o dólar caiu abaixo de R$ 5. O movimento ocorreu no primeiro pregão após o primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 e provocou forte valorização de bancos, varejistas, empresas ligadas ao mercado de capitais e ações de estatais.
A principal referência da Bolsa brasileira chegou a 209.605,70 pontos na máxima intradiária, segundo a B3. Por volta das 13h30, o índice ainda avançava aproximadamente 8%, aos 208,7 mil pontos.
No mesmo horário, o dólar era negociado na região de R$ 4,98.
O tamanho do movimento chama atenção pela velocidade. Na sexta-feira, último pregão antes da eleição, o Ibovespa havia encerrado aos 192.114,55 pontos.
Dólar cai abaixo de R$ 5
A moeda americana também iniciou a semana em forte queda.
Por volta das 10h, o dólar comercial chegou a ser negociado a aproximadamente R$ 4,994, queda de 4,3% em relação ao fechamento anterior, segundo dados publicados durante o pregão.
A cotação havia encerrado a sexta-feira próxima de R$ 5,22.
A Reuters registrou o dólar abaixo de R$ 5 pela primeira vez desde maio. Ao mesmo tempo, contratos de juros futuros apresentaram quedas expressivas, principalmente nos vencimentos mais longos.
Na prática, Bolsa em alta, real valorizado e juros futuros em queda mostram uma redução do prêmio de risco exigido pelos investidores nesta sessão.
Isso não significa, porém, que o movimento esteja garantido para os próximos dias. O mercado continua sujeito às negociações políticas do segundo turno, à apresentação das propostas econômicas dos candidatos, às expectativas sobre contas públicas e ao ambiente internacional.
Por que o Ibovespa disparou?
A movimentação ocorreu depois da divulgação do resultado do primeiro turno presidencial.
Com 99,99% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve 45,16%, segundo o Tribunal Superior Eleitoral.
Flávio recebeu 56.104.268 votos e Lula, 53.876.617. Os dois disputarão o segundo turno da eleição presidencial.
Agentes do mercado passaram a reavaliar preços de ações, câmbio e juros após o resultado eleitoral e a composição do Congresso.
A Reuters atribuiu a reação à percepção, entre investidores, de possibilidade de mudanças na política econômica e fiscal em caso de vitória da oposição no segundo turno. Esse cenário, porém, representa uma expectativa do mercado e não uma política já implementada.
Bancos e varejistas disparam na Bolsa
A alta do Ibovespa foi espalhada por diversos setores.
Por volta das 13h30, as ações preferenciais do Bradesco subiam 13,78%, Banco do Brasil avançava 12,10% e Itaú Unibanco ganhava 11,49%, segundo dados divulgados pela B3.
Os papéis da própria B3 avançavam cerca de 26% naquele momento.
O varejo também apareceu entre os destaques.
Magazine Luiza chegou a registrar valorização superior a 20%, movimento associado à redução das taxas de juros futuros e à perspectiva de condições financeiras potencialmente mais favoráveis para setores sensíveis ao crédito.
Construtoras também acompanharam a alta, enquanto empresas mais expostas às exportações tiveram comportamento diferente.
Vale e Embraer ficam na direção contrária
Nem todas as empresas se beneficiaram da valorização do real.
Na mesma sessão em que grande parte do Ibovespa registrava forte avanço, Vale e Embraer recuavam.
Por volta das 13h30, Vale caía perto de 3% e Embraer recuava aproximadamente 4%, segundo a B3.
A explicação passa, em parte, pelo câmbio.
Empresas que recebem parcela importante de suas receitas em dólares podem ter suas projeções em reais afetadas quando a moeda americana perde valor de maneira acentuada.
Por isso, uma queda do dólar que beneficia setores dependentes de importações ou do mercado doméstico pode exercer efeito contrário sobre algumas exportadoras.
Juros futuros também caem
A reação não ficou restrita à Bolsa e ao câmbio.
Os contratos de Depósitos Interfinanceiros, utilizados como referência para as expectativas de juros no mercado brasileiro, também registraram fortes quedas.
Às 11h24, o contrato para janeiro de 2035 recuava 126 pontos-base, para 12,875%, segundo a Reuters. O contrato para janeiro de 2028 caía 83 pontos-base, para 12,68%.
Os contratos mais longos costumam responder especialmente às expectativas sobre dívida pública, gastos governamentais, inflação e equilíbrio fiscal.
Já os vencimentos mais curtos refletem de maneira mais direta as expectativas para as próximas decisões do Banco Central.
Investidores estrangeiros também reagiram
A valorização dos ativos brasileiros começou antes da abertura da Bolsa em São Paulo.
No exterior, fundos negociados em Nova York que acompanham empresas brasileiras tiveram forte valorização.
O ETF EWZ, uma das principais referências de exposição estrangeira ao mercado brasileiro, chegou a subir cerca de 12,1% nesta segunda-feira.
Esse movimento indicou aumento do interesse por ativos brasileiros ainda durante a madrugada e a manhã, antes de o pregão doméstico consolidar a alta.
Ibovespa entrou em território inédito
A marca de 200 mil pontos nunca havia sido ultrapassada durante um pregão.
Antes desta segunda-feira, o maior fechamento registrado pelo Ibovespa era de 198.657 pontos, segundo a B3.
Na sexta-feira, 2 de outubro, o índice havia encerrado aos 192.114,55 pontos, alta de 2,63% naquela sessão.
A aceleração desta segunda-feira levou o indicador não apenas a cruzar os 200 mil pontos, mas a superar temporariamente os 209 mil pontos.
Segundo turno mantém mercado sujeito a volatilidade
O movimento desta segunda-feira ocorre três semanas antes da votação definitiva para presidente.
O segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Lula será realizado em 25 de outubro.
Até lá, investidores devem acompanhar as negociações partidárias, propostas econômicas, composição de eventuais equipes de governo e sinalizações dos candidatos sobre contas públicas, impostos, reformas e trajetória da dívida.
A própria B3 destacou que a manutenção da valorização dependerá da confirmação das expectativas atualmente incorporadas aos preços. Uma frustração dessas expectativas pode provocar devolução de parte do movimento observado nesta segunda-feira.
O marco do dia, porém, já está registrado: o Ibovespa superou 200 mil pontos pela primeira vez e alcançou máxima intradiária acima de 209 mil, enquanto o dólar voltou a ser negociado abaixo de R$ 5.
Repórter