BTG prevê Bolsa até 45% maior se Flávio Bolsonaro vencer eleição
Banco trabalha com valorização de 11% a 20% em um retorno das ações às médias históricas de preço; avanço de 45% aparece apenas no cenário mais otimista considerado pelos analistas.
Redação · Repórter
Publicado em ·5 min de leitura
Banco trabalha com valorização de 11% a 20% em um retorno das ações às médias históricas de preço.
Banco trabalha com valorização de 11% a 20% em um retorno das ações às médias históricas de preço; avanço de 45% aparece apenas no cenário mais otimista considerado pelos analistas.
O mercado acionário brasileiro ainda teria espaço para subir caso Flávio Bolsonaro (PL) vença o segundo turno da eleição presidencial, segundo cálculos do BTG Pactual divulgados nesta segunda-feira, 5 de outubro. O banco estima potencial de valorização de 11% a 20% em reais em um cenário de normalização dos preços das ações. Numa hipótese mais otimista, o avanço poderia chegar a 45%.
Os percentuais não representam uma previsão de que a Bolsa necessariamente subirá nessa proporção. São cenários elaborados a partir da diferença entre os preços atuais das ações brasileiras e os níveis pelos quais esses papéis foram negociados historicamente.
O estudo, assinado pelos analistas Carlos Sequeira, Osni Carfi e Bruno Ferreira, considera que uma eventual vitória de Flávio poderia elevar as expectativas do mercado por medidas mais duras de controle das contas públicas. A melhora na percepção de risco permitiria, nessa hipótese, que investidores aceitassem pagar múltiplos maiores pelas empresas brasileiras.
Bolsa brasileira ainda negocia abaixo da média histórica, diz BTG
A conta parte de um indicador bastante usado no mercado: a relação entre o preço das ações e o lucro esperado das empresas nos 12 meses seguintes, conhecida como P/L projetado.
Desconsiderando Petrobras e Vale, o conjunto das ações brasileiras negocia atualmente próximo de dez vezes o lucro esperado, segundo o relatório.
Na média dos últimos dez anos, esse múltiplo ficou em 11,1 vezes. Apenas um retorno a esse patamar produziria, pelos cálculos do BTG, valorização próxima de 11%.
Quando o banco utiliza uma série histórica mais longa, a referência sobe para 11,9 vezes o lucro, levando o potencial calculado para aproximadamente 20%.
É a partir daí que surge o número de 45%.
Para alcançar uma valorização entre 32% e 45%, seria necessário que as ações ultrapassassem suas médias históricas e passassem a negociar um desvio-padrão acima desses níveis. Trata-se, portanto, de uma hipótese mais agressiva do relatório, e não do cenário-base apresentado pelo banco.
Mercado já reagiu ao resultado do primeiro turno
A projeção foi divulgada um dia depois de Flávio Bolsonaro terminar o primeiro turno à frente de Lula.
O Tribunal Superior Eleitoral informou que, com a apuração praticamente concluída, Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou com 45,16%. Os dois voltarão às urnas em 25 de outubro.
A reação do mercado veio antes mesmo da divulgação do relatório do BTG.
Na manhã desta segunda-feira, o principal índice da Bolsa brasileira chegou a avançar mais de 8%, superando os 205 mil pontos durante as negociações. B3, Magazine Luiza e o próprio BTG Pactual estiveram entre os papéis que chegaram a registrar altas superiores a 20% no início da sessão.
O real também ganhou força. A moeda brasileira chegou a se valorizar mais de 4% diante do dólar na reação inicial dos investidores ao resultado eleitoral.
Esses movimentos mostram que parte do mercado começou a reprecificar os ativos brasileiros imediatamente após a votação. Não significam, porém, que os ganhos projetados pelo BTG estejam garantidos.
Varejo, construção e mercado de capitais aparecem entre os setores favorecidos
O relatório também identifica grupos de empresas que poderiam responder de maneira mais intensa a uma eventual mudança das expectativas econômicas.
Entre eles aparecem varejistas, construtoras voltadas às classes média e alta, empresas ligadas ao mercado de capitais e companhias com endividamento elevado.
O racional passa também pelos juros.
Empresas muito dependentes de crédito tendem a se beneficiar quando investidores passam a projetar melhora fiscal e, consequentemente, condições mais favoráveis para taxas de juros no futuro. Negócios ligados ao consumo e ao mercado imobiliário também costumam ser mais sensíveis a esse movimento.
Entre as companhias mencionadas pelo BTG estão Renner, C&A, Assaí, Cyrela, B3, XP, Localiza, Motiva, Rede D'Or, Equatorial, Energisa, Auren, Sabesp e Allos.
Há ainda um fator técnico.
Algumas dessas ações concentram posições vendidas, estratégia em que investidores operam esperando queda dos preços. Caso o mercado se movimente rapidamente na direção contrária, parte desses investidores pode precisar recomprar os papéis para fechar as posições. Esse processo, conhecido no mercado como short squeeze, pode intensificar uma alta que já esteja em andamento.
Dólar pode ampliar retorno para estrangeiros
O BTG também considera a possibilidade de valorização do real.
Para investidores internacionais, a combinação de Bolsa em alta e moeda brasileira mais forte produz um efeito adicional: o retorno convertido para dólares pode superar a valorização observada apenas em reais.
Essa dinâmica já apareceu na reação internacional ao primeiro turno. Ativos brasileiros negociados no exterior registraram fortes ganhos nesta segunda-feira, acompanhando a mudança de percepção sobre a eleição.
Ainda existem variáveis importantes fora da conta.
O segundo turno não está decidido, o comportamento dos eleitores pode mudar até 25 de outubro e uma eventual vitória eleitoral não garante a execução das medidas econômicas esperadas pelo mercado. Analistas ouvidos pela Reuters também apontaram que a continuidade da reação positiva dependeria da capacidade de transformar expectativas fiscais em políticas efetivas depois da eleição.
O próprio relatório do BTG não estabelece prazo para que as valorizações de 11%, 20%, 32% ou 45% sejam alcançadas. Os números representam diferentes cenários de reprecificação das ações brasileiras condicionados, entre outros fatores, ao resultado da eleição e à percepção dos investidores sobre a política econômica do próximo governo.
Repórter