Após meses de confrontos intensos na Faixa de Gaza, Israel e o grupo Hamas anunciaram nesta quinta-feira (9) um acordo de cessar-fogo parcial, mediado por Egito, Catar e Estados Unidos. O pacto prevê a libertação gradual de prisioneiros israelenses e palestinos e uma retirada limitada das forças israelenses de algumas regiões centrais de Gaza.
Segundo fontes diplomáticas, o cessar-fogo deve entrar em vigor nas próximas horas e será monitorado por uma coalizão internacional. A primeira fase inclui a libertação de cerca de 50 reféns israelenses em troca de 150 prisioneiros palestinos, além de permitir entrada de ajuda humanitária ampliada no território.
Autoridades israelenses reforçaram que o acordo não significa o fim da guerra, mas uma “pausa estratégica” para aliviar a crise humanitária e criar condições para negociações futuras. Já o Hamas afirmou que vê o cessar-fogo como “uma vitória moral e humanitária”, mas alertou que a resistência continuará enquanto houver ocupação militar.
Desde o início do conflito, em outubro de 2023, mais de 40 mil pessoas morreram, segundo estimativas de organismos internacionais. O cessar-fogo é o primeiro com garantias verificáveis desde a retomada das ofensivas israelenses no início deste ano.
Os Estados Unidos e a ONU elogiaram o acordo e pediram “máxima moderação” de ambas as partes. O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que o cessar-fogo é “um primeiro passo necessário rumo à estabilidade regional”, enquanto o Egito declarou que pretende convocar uma conferência de paz ainda este mês no Cairo.
O clima em Israel é de cautela: o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu enfrenta pressão interna de grupos militares e familiares de reféns, enquanto opositores o acusam de usar o conflito para fins políticos. Já analistas internacionais afirmam que o cessar-fogo pode redesenhar a dinâmica do Oriente Médio e abrir espaço para uma nova rodada de negociações diplomáticas sob supervisão internacional.