O resultado do Festival de Parintins 2025, que consagrou o Boi Garantido como campeão após seis anos de jejum, rapidamente deixou de ser apenas uma celebração para se tornar o centro de uma das maiores controvérsias da história recente do evento. A diferença apertada de apenas 1,3 ponto entre Garantido e Caprichoso acendeu o alerta, mas foi o que veio depois que realmente incendiou os bastidores do festival.
Insatisfeito com o desfecho e com indícios que já circulavam nos dias que antecederam a apuração, o presidente do Boi Caprichoso, Rossy Amoedo apresentou documentos que, segundo o corpo diretor, comprovam ligações diretas entre jurados da edição e pessoas ligadas ao Garantido. Entre os materiais entregues estão prints de redes sociais, registros de envolvimento profissional e até menções públicas de afinidade com o boi vermelho e branco. Os documentos foram protocolados de forma oficial, e Caprichoso passou a questionar não apenas as notas, mas toda a legitimidade do resultado.
Durante a leitura das notas, o presidente do Caprichoso, Rossy Amoedo, abandonou a sala de apuração como forma de protesto. O gesto, inicialmente interpretado como uma reação emocional, ganhou contornos mais sérios após a divulgação dos documentos. O presidente do Caprichoso, em pronunciamento à imprensa, afirmou que a credibilidade do festival está em jogo e que a agremiação buscará todas as vias legais para que os fatos sejam apurados, incluindo ação judicial para anulação das notas dadas por jurados com suposto conflito de interesse.
A repercussão foi imediata. Torcedores e simpatizantes do Caprichoso se mobilizaram nas redes sociais, organizando campanhas e protestos pedindo justiça e lisura no julgamento. Hashtags, vídeos de denúncias e até abaixo-assinados virtuais surgiram, exigindo uma resposta da organização do festival. Do outro lado, o Garantido manteve a postura de campeão legítimo, negando qualquer irregularidade e reforçando a confiança no processo de escolha dos jurados.
A organização do festival, até o momento, adotou um tom mais cauteloso. Declarou que os jurados passaram por processo seletivo conforme regulamento vigente, e que não houve infrações formais durante a apuração. No entanto, a pressão popular e o teor das provas apresentadas forçaram o debate público sobre a necessidade de maior transparência e imparcialidade nas próximas edições.
A crise expôs uma fragilidade no sistema de julgamento do festival, que tradicionalmente se baseia na confiança mútua entre agremiações, jurados e organização. O caso pode abrir um precedente importante, gerando discussões sobre reformulações no processo de seleção de jurados, maior fiscalização e até a presença de auditorias externas para garantir a idoneidade do julgamento.
O que era para ser apenas a consagração de um vencedor virou um capítulo de desconfiança, embates institucionais e disputa por credibilidade. Se por um lado o Garantido celebrou um título histórico, por outro o Caprichoso iniciou um movimento de contestação que ainda promete desdobramentos. E no coração da Amazônia, o povo segue dividido — entre o azul da revolta e o vermelho da festa — à espera de respostas que restabeleçam a confiança no maior espetáculo folclórico do Brasil.