A crise que envolve o ministro Alexandre de Moraes e o Supremo Tribunal Federal ganhou um novo componente: a suspeita existente entre integrantes da própria Corte segundo relatos publicados pela imprensa, de que informações sensíveis poderiam estar sendo usadas como instrumento de proteção política e institucional.
Em reportagem publicada, pelos meios de comunicação, em fevereiro revelou que parte dos ministros estavam irritados com Moraes e que havia, nos bastidores, receio de que o magistrado pudesse estar reunindo informações sobre colegas para evitar ficar isolado diante das pressões relacionadas ao caso Banco Master. Segundo o texto, alguns ministros temiam que Moraes estivesse montando “dossiês” para não ser entregue sozinho diante da crise.
A informação deu origem, principalmente nas últimas semanas, a uma interpretação que passou a circular no meio político: a de que o comportamento equivaleria ao recado de que uma eventual queda de Moraes poderia atingir outras autoridades.
É importante entender que o que existe é uma leitura política de seus movimentos e dos relatos de bastidores publicados sobre a crise no Supremo. Quando integrantes da mais alta Corte do país passam a suspeitar que um colega possa possuir informações capazes de constranger outros ministros, deixa de existir apenas uma disputa pessoal. Surge uma dúvida sobre a independência das decisões tomadas dentro do próprio tribunal.
Caso Master amplia pressão
A crise ganhou novo impulso com a divulgação de informações sobre as relações entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e Moraes.
As notícias apontaram que a Polícia Federal identificou mensagens e encontros envolvendo Vorcaro e o ministro. O caso passou a gerar forte desgaste dentro do STF e levou o ministro André Mendonça a pedir esclarecimentos relacionados às investigações.
A situação desencadeou divergências entre ministros, Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República sobre os limites das apurações.
A PGR, por exemplo, considerou ilegal uma determinação de Mendonça que poderia alcançar Moraes, argumentando que o procedimento representaria, na prática, investigação de autoridade com prerrogativa de foro sem a observância do procedimento adequado.
O episódio tornou ainda mais visível uma divisão que antes permanecia predominantemente nos bastidores.
O problema deixa de ser Moraes e passa a ser o próprio STF
A questão central não deveria ser simplesmente se Alexandre de Moraes permanecerá ou não no Supremo.
O problema maior é saber se os ministros ainda possuem condições de analisar acusações envolvendo seus próprios colegas sem interferências decorrentes de relações pessoais, informações privilegiadas ou receio de exposição.
Uma Suprema Corte depende fundamentalmente de confiança.
Quando ministros passam a desconfiar uns dos outros, quando surgem suspeitas de produção de informações contra integrantes do próprio tribunal e quando decisões judiciais são interpretadas como movimentos dentro de uma disputa interna, a crise ultrapassa os personagens envolvidos.
Em uma democracia, decisões judiciais precisam ser tomadas por convicção jurídica — e não pelo receio de consequências pessoais.
Se autoridades começarem a acreditar que apoiar o afastamento, a investigação ou qualquer medida contra determinado ministro pode provocar exposição ou retaliação, estaremos diante de algo muito mais sério que uma crise entre magistrados.
Estaremos diante de uma crise de confiança no órgão que deveria representar justamente a última garantia de imparcialidade do sistema de Justiça brasileiro.