Brasil se despede de duas gigantes: Laura Cardoso e Glória Menezes morrem em intervalo de poucas horas

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Em menos de 24 horas, a dramaturgia brasileira perdeu duas de suas maiores representantes. Laura Cardoso morreu aos 98 anos e Glória Menezes, aos 91, deixando para trás carreiras que atravessaram gerações e ajudaram a escrever a própria história da televisão brasileira.

O Brasil viveu uma sequência de despedidas que marcou profundamente a história da dramaturgia nacional. Duas das mais importantes atrizes do país, Laura Cardoso e Glória Menezes, morreram em um intervalo de poucas horas, encerrando trajetórias que, somadas, representam mais de um século de dedicação ao teatro, ao cinema e, principalmente, à televisão.

Laura Cardoso morreu na noite de segunda-feira, 17 de agosto, aos 98 anos. Nascida Laurinda de Jesus Cardoso Balleroni, em São Paulo, em 1927, a atriz iniciou sua carreira ainda adolescente, aos 15 anos, trabalhando em radionovelas na Rádio Cosmos. Sua estreia na televisão aconteceu em 1952, no programa Tribunal do Coração, da TV Tupi. Décadas depois, em 1981, chegou à Globo na novela Brilhante, iniciando uma longa sequência de personagens que permaneceriam na memória do público.

Ao longo da carreira, Laura esteve presente em produções que se tornaram clássicos da televisão brasileira. Entre elas estão Rainha da Sucata, Mulheres de Areia, A Viagem, Explode Coração, Chocolate com Pimenta, O Profeta e tantas outras. Sua capacidade de transformar personagens secundários em figuras memoráveis fez com que se tornasse uma das atrizes mais respeitadas de sua geração.

Poucas horas depois da notícia que abalou o meio artístico, o país recebeu uma segunda despedida. Glória Menezes morreu na terça-feira, 18 de agosto, aos 91 anos, em seu apartamento no Rio de Janeiro. Segundo a assessoria da artista, a morte ocorreu por causas naturais.

Nascida em Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 1934, Glória Menezes construiu uma carreira de mais de seis décadas. Sua ascensão foi rápida: ainda em 1959, recebeu reconhecimento como atriz revelação e começou a trabalhar na televisão. Poucos anos depois, participou de O Pagador de Promessas, filme de Anselmo Duarte que conquistou a Palma de Ouro no Festival de Cannes em 1962.

Em 1963, ao lado de Tarcísio Meira, Glória protagonizou 2-5499 Ocupado, considerada a primeira telenovela diária da televisão brasileira. A parceria ultrapassaria as câmeras. Glória e Tarcísio se tornaram um dos casais mais emblemáticos da cultura brasileira e permaneceram juntos durante décadas, até a morte do ator, em 2021.

Na Globo, onde estreou em 1967 com Sangue e Areia, Glória participou de mais de 40 telenovelas e deu vida a personagens marcantes em produções como Irmãos Coragem, Pai Herói, Guerra dos Sexos, Brega & Chique, Rainha da Sucata, A Próxima Vítima, Torre de Babel, A Favorita e Totalmente Demais.

As mortes de Laura Cardoso e Glória Menezes praticamente lado a lado no calendário carregam um peso simbólico para a cultura brasileira. Elas pertenciam a uma geração que acompanhou a televisão quando o veículo ainda dava seus primeiros passos no país e participaram diretamente de sua transformação em um dos principais elementos da cultura popular nacional.

Foram atrizes que atravessaram mudanças tecnológicas, novas linguagens, diferentes gerações de autores, diretores e atores sem perder relevância. Mais do que protagonistas de novelas ou intérpretes de personagens inesquecíveis, Laura Cardoso e Glória Menezes ajudaram a construir a memória afetiva de milhões de brasileiros.

Em menos de um dia, fecharam-se dois capítulos extraordinários da dramaturgia nacional. As artistas se despedem, mas permanecem suas personagens, suas histórias e uma contribuição difícil de dimensionar para a televisão, o teatro e o cinema brasileiros.

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