O Senado dos Estados Unidos votou nesta terça-feira uma resolução que visa derrubar as tarifas de 50% impostas pelo então presidente Donald J. Trump sobre importações brasileiras, incluindo produtos como café e carne bovina. A aprovação ocorreu por 52 votos a 48, com cinco senadores republicanos rompendo com a linha partidária para apoiar a medida.
A razão central para a imposição das tarifas havia sido a declaração de “emergência nacional” feita por Trump em julho, em resposta ao processo judicial contra o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro por tentativa de golpe em 2022, decisão essa que voltava a atenção para as relações comerciais entre os dois países.
Apesar da vitória no Senado, o caminho à frente é incerto. A Câmara dos Representantes, controlada pelos republicanos, adotou procedimentos que poderão impedir qualquer votação sobre a revogação das tarifas até março de 2026. Além disso, Trump tem sinalizado que vetará a medida se ela chegar ao seu gabinete.
A votação revela uma insatisfação crescente dentro do partido republicano com o uso de poderes de emergência para balizar tarifas comerciais, bem como preocupações com o impacto econômico: bens importados do Brasil chegam a movimentar cerca de US$ 40 bilhões por ano e sustentam aproximadamente 130 mil empregos americanos, segundo estimativas citadas durante o debate.
Para o Brasil, a possível revogação representa uma redução da tensão comercial com os EUA e uma retomada de previsibilidade nas exportações a um dos seus principais parceiros. No entanto, até que a medida seja concluída, empresas e investidores ficam em espera diante da incerteza.