Human Rights Watch denuncia: gado da JBS pode vir de terras griladas na Amazônia

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Uma nova investigação da organização Human Rights Watch reacendeu o debate sobre o papel da gigante brasileira da carne, JBS, na devastação ambiental e nas violações de direitos humanos na Amazônia. O relatório aponta que a empresa pode ter contribuído indiretamente para o desmatamento ilegal e a grilagem de terras ao comprar gado proveniente de fazendas situadas em áreas protegidas, inclusive terras indígenas e unidades de conservação.

Segundo o levantamento, o sistema de rastreabilidade utilizado pela companhia apresenta falhas graves que permitem a entrada de animais criados em fazendas envolvidas em crimes ambientais na cadeia formal de produção. Em muitos casos, o gado é transferido de propriedades embargadas para fazendas “limpas”, que servem como intermediárias antes do abate — prática conhecida como “lavagem de gado”. Essa manobra mascara a origem ilegal dos animais e possibilita que a carne chegue a mercados nacionais e internacionais com aparência de conformidade.

O estudo também denuncia impactos humanos profundos. Em diversas regiões do Amazonas, comunidades tradicionais, indígenas e trabalhadores rurais têm sido alvo de ameaças, expulsões forçadas e violência armada associada à expansão de fazendas ilegais. As condições de trabalho precárias, muitas vezes análogas à escravidão, persistem em áreas de difícil fiscalização.

A Human Rights Watch cobra do governo brasileiro uma resposta mais rigorosa e transparente no controle da cadeia da carne, exigindo monitoramento completo desde o nascimento do animal até o abate. A organização defende ainda a responsabilização de empresas que se beneficiam economicamente de atividades ilegais e a criação de mecanismos de auditoria pública que impeçam a comercialização de produtos ligados ao desmatamento.

Em meio às pressões internacionais, a JBS voltou a afirmar seu compromisso com a sustentabilidade e declarou que está implementando tecnologias de rastreamento avançadas para identificar fornecedores indiretos. No entanto, especialistas e ambientalistas consideram que as medidas ainda são insuficientes para conter o avanço da destruição na floresta e o agravamento das violações de direitos humanos.

A denúncia reforça a urgência de políticas eficazes de controle ambiental e de reforma no sistema de produção pecuária na Amazônia, onde o equilíbrio entre economia, natureza e dignidade humana segue em colapso.

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